Muitas foram as verdades que permearam as sociedades ao longo da história. Essas eram consideradas como naturais. Mas quem é o criador das ideias naturais? Como elas se sustentam? Como a sociedade pode se opor a essas ideias e, mesmo assim, elas continuam sendo resistentes?

Segundo Marx, “as ideias dominantes de cada época são sempre as ideias da classe dominante”.

Enquanto Edward Bernays diz o seguinte:

“A manipulação consciente e inteligente dos hábitos organizados e das opiniões das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam esse mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder governante em nosso país.”

“Somos governados, nossas mentes são moldadas, nossos gostos são formados e nossas ideias são sugeridas, em grande parte, por homens sobre os quais nunca ouvimos falar. Este é um resultado lógico do modo como nossa sociedade democrática está organizada. Vastos números de seres humanos precisam cooperar dessa maneira para que possamos viver juntos como uma sociedade perfeitamente funcional.”

“Nossos governadores invisíveis, em muitos casos, não sabem a identidade dos outros membros no gabinete mais interno.”

Mas essas ideias não seriam viáveis se fossem estabelecidas pela força. As declarações ideológicas são difíceis de reconhecer, a não ser que se tenha pleno conhecimento político. E a ideologia se espalha por jornais, anúncios publicitários, programas de televisão, livros didáticos e pela internet.

De outro lado, George Bernard Shaw, alerta:

“Você tem que livrar sua mente da fantasia que nos foi ensinada quando crianças, de que as instituições sob as quais vivemos são naturais, como as condições climáticas. Não são. Como elas existem em toda parte em nosso mundinho, tomamos por certo que sempre existiram e que devem existir para sempre. Esse é um erro perigoso. Elas são na verdade artífices transitórios. Mudanças que ninguém pensou que fossem possíveis ocorrem em algumas gerações. As crianças de hoje acreditam que passar nove anos na escola, ganhar aposentadorias por idade e viuvez, direito de voto para mulheres e senhoras de saias curtas no Parlamento fazem parte da ordem da natureza, sempre foi assim e sempre será; mas suas bisavós teriam dito que seria louco quem quer que lhes falasse que essas coisas aconteceriam – e que qualquer um que desejasse suas chegada seria malicioso.”


Fotografia de Eugenio Mazzone.

Escrito por Rafael L. Carlesso

Arquiteto, urbanista e pesquisador na área de sociologia urbana e filosofia.

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