Cultura do medo

Insegurança mais insegurança é igual a desespero. E quem não tem medo já morreu de medo, dizem por aí.

A construção de muros é prioridade nas cidades. Não se fala mais em portas. Nem abertas, nem fechadas. O medo move tudo. Individualiza-se o transporte. As lojas estão nas ruas internas dos shoppings. A segurança não segura mais nada. Os campi universitários não tem nada de universal. O povo tem medo dos ladrões. Tem medo da polícia. É tempo do medo.

O mundo prefere a segurança à justiça? Tudo indica que sim. Como diz Eduardo Galeano, “há cada vez mais gente que aplaude o sacrifício da justiça no altar da segurança. Nas ruas das cidades são celebradas as cerimônias. Cada vez que um delinquente cai varado de balas, a sociedade sente um alívio na doença que a atormenta”.

Pobre que é ladrão é bandido. Senão, é ladrão porque é pobre. Enquanto o rico que rouba é cleptomaníaco.  A justiça é cega e não vê nada. Não faz nada. Mas a vida continua. Pelo menos para os que sobrevivem.


Fotografia de Marina Vitale.

Escrito por Rafael L. Carlesso

Arquiteto, urbanista e pesquisador na área de sociologia urbana e filosofia.
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